Patologia do Joelho
O estudo e tratamento da patologia do joelho, incluindo a degenerativa, surge na maior parte dos grandes centros médicos internacionais, associada à traumatologia desportiva. Na verdade, alguns dos mecanismos de lesão articular do joelho, são facilmente reproduzíveis nas actividades quotidianas (laborais e de lazer).
Os quadros clínicos associados às deformidades anatómicas (instabilidades rotulianas, joelho varo e valgo entre outras), associadas ou não à prática de uma actividade física, têm repercussões lesionais ou degenerativas nas estruturas articulares, sendo fonte de incapacidade laboral e desportiva, mas também de diminuição da qualidade nas actividades da vida diária nas últimas décadas de vida.
A osteoartrose tem uma prevalência de 30-50% após os 65 anos, pelo que o diagnóstico e tratamento adequado das patologias traumáticas e degenerativas que a ela conduzem, assim como o seu tratamento com recurso às mais modernas tecnologias, exigem uma assistência médica altamente especializada.
Artrose do Joelho (gonartrose)
Trata-se de um processo degenerativo que atinge a cartilagem articular (estrutura branca com baixo potencial regenerativo que reveste as extremidades articulares dos ossos), que se traduz pelo aparecimento de lesões condrais mais ou menos graves. Está fortemente associada ao envelhecimento (80% após os 70 anos), mas também à obesidade, grandes deformidades articulares (joelho varo e valgo por exemplo) e à existência de fracturas ou lesões intra-articulares prévias (lesões meniscais complexas, lesões condrais e ligamentares).
Sintomas e diagnóstico
Clinicamente manifesta-se por dor e impotência funcional, mas também pelo derrame (“inchaço”) e deformidade articular. O Rx simples permite o diagnóstico e a classificação, sendo que a TAC e a RM desempenham um papel importante na decisão terapêutica.
Tratamento
O tratamento incide essencialmente no controlo dos sintomas, mas também na correção dos factores etiológicos. Numa fase inicial os aine, a fisioterapia, a redução de peso, o exercício físico controlado e eventualmente os fármacos condroprotectores desempenham papel fundamental. Nesta fase as injeções com ácido hialurónico, com PRP e mais recentemente com Bone Marrow apresentam resultados importantes no controlo dos sintomas. A correção cirúrgica de factores causais (osteotomias) como os desvios rotulianos e as grandes deformidades articulares (varo o valgo) é necessária em algumas situações clínicas, em função da idade e do grau de artrose presente. Também em função do grau de artrose, as lesões condrais podem beneficiar de tratamento cirúrgico, com recurso a diversas técnicas artroscópicas como as microfracturas, a mosaicoplastia e a cultura de condrócitos, apoiadas na infiltração com PRP e Bone Marrow. Numa fase mais avançada e na presença de doença grave e limitante os doentes beneficiam da realização de artroplastias (próteses). Em casos muito particulares próteses unicompartimentais (apenas um compartimento) mas na maioria dos casos de próteses totais (tricompartimentais). Também aqui a prevenção tem o seu papel, sobretudo no controlo do excesso de peso, na correção das grandes deformidades em tempo útil, assim como na prática de exercício físico regular e moderado.
Instabilidade Rotuliana
A instabilidade rotuliana é uma patologia caracterizada por um “encaixar” desadequado da rótula na tróclea femoral durante a flexão do joelho, que tem como quadro clinico mais grave a luxação rotuliana. As instabilidades são de 3 tipos: objectivas, na presença de episódios de luxação e com alterações anatómicas muito características; potenciais, onde predomina a dor, sem sinais clínicos de instabilidade e com alterações anatómicas minor; e as subjectivas onde predomina o quadro doloroso (dor na flexão, a descer escadas ou rampas e dificuldade em permanecer sentado).
Sintomas e diagnóstico
Os primeiros sintomas surgem pelos 10-18 anos, sendo a principal causa de dor anterior e de sensação de instabilidade no joelho. O diagnóstico e tratamento precoces são importantes, porque a dor significativa e os episódios de luxação recorrentes, estão associados a lesões condrais mais ou menos importantes (fracturas osteocondrais e lesões de condromalacia). O diagnóstico assenta na história clinica, no exame físico e na imagiogia (Rx, TAC e RM).
Tratamento
Os quadros menos graves beneficiam de tratamento fisiátrico e de uma actividade física regular, mas os mais graves obrigam à correção cirúrgica dos defeitos anatómicos associados a este tipo de patologia do joelho (medialização da tuberosidade anterior da tíbia e reconstrução do ligamento patelofemoral medial, são as mais comuns) e por vezes ao tratamento das lesões condrais.
Perguntas Frequentes
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